

Os textos utilizados no espectáculo, escritos entre 1987 e 2000, foram publicados nas obras “Misero Próspero”, “Pervertimiento y otros gestos para nada”, “Dos tristes tigres” e “Vacío” tendo sido reunidos numa edição intitulada “Teatro Menor”, em 2008. José Sanchis Sinisterra (Valência, 1940) reúne nessa obra 50 textos "breves e brevíssimos" de espectáculos fundadores do Teatro Fronterizo, assim como outros escritos elaborados ao longo da sua carreira de encenador, professor e coordenador de seminários de escrita que fizeram dele o principal responsável pela formação de gerações de escritores dramáticos em Espanha e no mundo ibero-americano.
Esta é a primeira incursão da companhia na obra de José Sanchis Sinisterra e insere-se na abordagem à dramaturgia espanhola contemporânea iniciada pel'A Escola da Noite em Novembro de 2010, com a estreia do espectáculo “Noite de amores efémeros”, de Paloma Pedrero. O projecto inclui ainda seis "Jornadas de Dramaturgia Espanhola Contemporânea", que visam divulgar junto da comunidade teatral e do grande público a actualidade do teatro espanhol, cruzando os discursos de especialistas e investigadores académicos com a intervenção directa dos autores. Depois de Paloma Pedrero, Virtudes Serrano e Angelica Liddell, três outros dramaturgos espanhóis - Antonio Onetti, Juan Mayorga e o próprio José Sanchis Sinisterra - virão a Coimbra até ao final do ano.

in http://www.nuevoteatrofronterizo.es/
Circular de 31 de Março de 2011
A Escola da Noite sofreu um corte de 37% no financiamento do Ministério da Cultura no concurso de apoio às artes para 2011-2012, cujos resultados foram anunciados esta segunda-feira.
Trata-se do maior dos vários cortes graves registados entre outras estruturas de criação financiadas pelo Estado, sendo muito superior à percentagem que o Ministério anunciou “ter de aplicar” às estruturas que apoia (23%) e mais de duas vezes acima do corte médio efectivamente registado (17%).
Este corte, que tem
gravíssimas consequências sobre a actividade e o funcionamento
da companhia, é discriminatório, injusto e irresponsável.
1. discriminação
Ao contrário do que o
Ministério anunciou publicamente, os cortes não foram aplicados
de maneira equitativa pelas várias estruturas de criação com
contratos plurianuais com a Direcção-Geral das Artes. A taxa de
23% anunciada pela Ministra da Cultura numa sessão “plenária” na
Cinemateca em Novembro de 2010, traduziu-se, na prática, em
situações muito diferenciadas: uma redução de 13% para as
estruturas com apoios quadrienais e uma redução média de 24%
para as estruturas com apoios bienais. Ao mesmo tempo, as
estruturas com apoios anuais obtiveram, no seu conjunto, um
aumento de 46%. Dentro desta incompreensível e injustificada
discriminação, A Escola da Noite é a estrutura mais penalizada,
com um corte de 37%.
2. injustiça
Para além da injustiça
relativa, quer em relação às estruturas com contratos
quadrienais, quer em comparação com as companhias com contratos
a dois anos, A Escola da Noite sente-se injustiçada em relação
ao seu próprio percurso e ao trabalho desenvolvido ao longo dos
19 anos de actividade permanente. Os 200 mil Euros / ano que o
Ministério agora propõe como apoio à companhia são inferiores ao
financiamento no arranque da companhia, em 1992. Uma penalização
que é contraditória com a avaliação qualitativa feita pelo júri,
que faz "uma leitura global muito positiva do desempenho
conhecido da companhia e do seu papel na região onde se insere",
e pela Comissão de Acompanhamento e Avaliação, presidida pelo
Director Regional da Cultura do Centro, que considerou
“exemplar” a forma como a companhia desenvolveu o seu trabalho
nos últimos anos.
3. irresponsabilidade
Por outro lado, o Ministério despreza o facto de A Escola da Noite assumir o duplo papel de estrutura de criação e de responsável pela gestão e programação do Teatro da Cerca de São Bernardo, com dois anos de provas dadas, no lançamento e na dinamização regular e qualificada deste novo equipamento da cidade. Este trabalho tem sido feito sem um financiamento específico para a programação, à custa do (já insuficiente) orçamento de que a companhia dispunha. Em 2010, as despesas com a gestão e a programação do TCSB foram de 160 mil Euros, dos quais 60 mil foram investidos pela própria companhia. Com este corte, o MC mostra-se irresponsavelmente desinteressado das condições em que pode ou não funcionar um teatro que ajudou a financiar e que faz parte da Rede Nacional de Teatros e Cine-Teatros.
Tal como escrevemos em 2008, este modelo de concursos, que trata por igual realidades muito diferentes, é absolutamente desadequado para lidar com casos específicos como o d'A Escola da Noite no Teatro da Cerca de São Bernardo. Torna-se por isso urgente a celebração de outro tipo de contratos entre as estruturas de criação, a Administração Central e as autarquias, pensados caso a caso e capazes de assegurar a estabilidade mínima indispensável ao bom funcionamento destes grupos e destes equipamentos.
Neste cenário, colocada perante a necessidade de lutar pela sua própria sobrevivência enquanto estrutura de criação e sem meios humanos e financeiros que lhe permitam assegurá-la, A Escola da Noite é, para já, forçada a suspender a programação externa do Teatro da Cerca de São Bernardo durante o segundo trimestre de 2011.
A Escola da Noite
Coimbra, 31 de Março de
2011.
Isabel Campante
A Escola da Noite
Teatro da Cerca de São Bernardo
Cerca de São Bernardo
3000-097 COIMBRA
telf 239 718 238
fax 239 703 761
tlm 966 302 488
e-mail isabelcampante@aescoladanoite.pt
site www.aescoladanoite.pt
blog http://weblog.aescoladanoite.pt
Circular de 31 de Janeiro de 2011
A Escola da Noite acolhe Teatro Meridional em residência artística no TCSB
O Teatro Meridional estará em residência artística em Coimbra, no Teatro da Cerca de São Bernardo, entre 7 e 13 de Fevereiro. O programa inclui dois dos mais recentes espectáculos - “Contos em Viagem: Cabo Verde” e “1974” - , um recital de poesia, um workshop, uma exposição, um documentário e várias oportunidades de conversa com o público.
Recentemente distinguido com o Prémio Europa Novas Realidades Teatrais (entre vários outros prémios que recebeu ao longo dos anos) e com a mesma idade d'A Escola da Noite, o Teatro Meridional é uma das mais importantes companhias de teatro portuguesas. O seu original e consistente percurso artístico distingue-se no panorama nacional e internacional pela importância atribuída ao trabalho do actor e por três linhas essenciais de reportório: a encomenda de textos originais, a adaptação de textos não teatrais (com predominância para a literatura lusófona) e o cruzamento em palco de várias linguagens artísticas, criando espectáculos em que a palavra “não é a principal forma de comunicação cénica”.
Os espectáculos escolhidos para esta residência artística em Coimbra são dois belíssimos exemplares deste percurso: “Contos em Viagem” reúne textos (prosa e poesia) de mais de uma dezena de autores cabo-verdianos; “1974” é uma interpelação poética aos espectadores sobre o país em que vivem, a partir de três períodos essenciais do passado recente – a Ditadura, o 25 de Abril e o pós-revolução e a entrada de Portugal na Comunidade Europeia. Em termos cénicos, o espectáculo adopta “um ponto de vista sensorial”, destacando-se, perante a quase ausência de palavras, o rigoroso trabalho (corporal, coral) dos actores, a banda sonora original de José Mário Branco e o trabalho plástico (cenário e figurinos) de Marta Carreiras.
Ainda no âmbito da residência, a actriz e encenadora Natália Luíza (co-directora da Companhia) apresentará o recital “Portugal dos Poetas”, o director artístico Miguel Seabra dirigirá um workshop para jovens actores e estudantes do ensino artístico e serão exibidos um documentário e uma exposição fotográfica sobre a preparação do espectáculo “1974”.
Como é objectivo deste modelo de residências (desde 2009, o TCSB já acolheu assim o Teatro O Bando, Vera Mantero e Joana Providência), o público terá assim oportunidade de contactar com uma mostra alargada do trabalho e do percurso criativo da companhia, podendo inclusivamente aproveitar para trocar impressões e debater com os artistas em várias ocasiões – conferência de Miguel Seabra, conversas após os espectáculos, entre outras.
À excepção dos espectáculos “Contos em Viagem” e “1974” (para os quais é possível adquir bilhete conjunto em condições especiais) e do workshop (cujo número máximo de inscrições foi rapidamente atingido), todas as restantes iniciativas têm entrada livre.
Aceite o convite destes dois grupos e faça-nos companhia!